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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Feliz 2011!

A todos que porventura passaram por aqui,
por curiosidade, para se informar,
para rir, para criticar,
para conhecer, para... e para...
e para...
A todas essas pessoas,
continuem visitando em 2011
continuem buscando em 2011
continuem vivas em 2011
de corpo e de alma
façam um brinde na passagem
mesmo que seja com guaraná (rs)
para que o barulho de seus copos
acordem os espíritos iluminados
que nos guardaram nesse novo ano.

FELIZ 2011 e que se ele não for
repleto, não seja porque não tentamos
com todo nosso afinco fazê-lo melhor!

Um brinde! e um poema...
Boas energias a todos!


......... ...:.... ..........

PASSAGEM DO ANO


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão
o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção,
glória,doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não
ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este
presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a
borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou,
outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

[Carlos Drummond de Andrade]

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ardent



















Chama voraz a devastar-lhe a carne em desejos
Queimara no fogo ardente de um beijo...

Embriagada pois,
jazia semi-desfalecida
ao toque sereno, tremia
tragara profundo,
'veneno'
sabia, sentia
calidamente, os sentidos perdia
suspiro, espasmo, saliva...
parar o tempo, parar a vida
... queimara no fogo
ardente de um beijo,
Outrora...
Agora...
a nudez pálida da lua,
numa gélida carícia
lhe cobria sem malícia
o vulto alvo abatido,
que docemente morria
no silêncio do outro dia!

*(não recordo a data)

Toda paixão consome,
como chama, a madeira
se resta brasa
mais uma vez há de queimar
se não... eis o fim!

Zell

O Peixe e o Escorpião

Natureza mãe carinhosa,
Que com capricho esculpiste
A formosa menina, o Peixe
Doce, cheia de encantos
Sonhadora e corajosa...
Assim, tranqüila bailava
Nas turvas águas noturnas
Que a luz pálida da lua
Escondia a cor cristalina
Contava as estrelas seus sonhos
Contava... cantava sua dor
Falava pra lua, amiga amada
Companheira nas infinitas noites
A sonhar com seu doce amor
Contempla pra além das águas
Sua morada, sua terna prisão
Queria apenas ter asas,
Voaria aos céus então,
Tão longe quanto pudesse
Tão alto quanto um falcão
Tão verdadeiro seu desejo
Que a lua lhe atendeu
Deu-lhe asas bem ligeiras
Para que enfim pudesse então
Abandonar a morada
E pousar na firmeza do chão
E voar para outras terras
De outros mares, e outros encantos
E não é que a pequenina
Com as asas douradas do sonhar
Pouco hesita, sem pensar
Abandona seu recanto
E pousa, pousa discreta
Em terras desconhecidas
tão belas e já tão queridas
Festejando o presente,
Nem percebe a aproximação
Furtiva e sorrateira
Do esperto Escorpião
- Quem és tu? Pergunta encantada
à criatura a sua frente
- O príncipe Escorpião,
e o que faz em minha morada?
Não responde, não há tempo
Pois toda entorpecida,
o veneno já corre em tuas veias
- Oh adorada criatura, que foi que tu fizeste?
- Não queria, mais agora é tarde,
dei-te a provar meu veneno.
- e de mim que será agora?
- não sei, talvez morrerás...
















O reino é de sangue e glória...
um brinde à coragem do príncipe das artimanhas...


É um pouco de como era meu amor por ele
e talvez um pouco de como era o amor dele por mim...
Sobrevivendo ao seu veneno, me tornei parte de ti!

Zell - 2007

sexta-feira, 20 de março de 2009

A praia

De cândidos olhares passeava
A beira da enseada da vida
Via ao longe o mar revolto de suas amarguras
Perderem-se na espuma de pensamentos frouxos
Em rodopios doudos bailavam
Os reflexos, desconexos de suas ultimas desventuras,
De seus lamentares mais profundos
Via suas dores, pela maré tragada em fúria
Impassiva e solene observava
A dança incessante do vento,
Do tempo, que arrasta, que arrasa
Seus medos, seus pesadelos
Tempestade de sentimentos
Cai a chuva, cai a noite,
Esvai-se a tarde de seus tormentos
E o beijo doce da brisa noturna
Enxuga o resquício da ultima lágrima
Observa serenamente, o ocaso do desespero,
De brandura se torna plena,
A alma repleta, calmaria
Desfruta a bonança merecida,
Do anoitecer dos seus dias
As costas na areia, embevecida,
O céu a luzir pirilampos
Apaixonada, de amores perdida
Sorri para a lua, enternecida
Não teme a morte, não teme a vida
Findos momentos de despedida
Menina, mulher como outrora
Brinda em fulguras a próxima aurora

(04/12/2007) - A Praia - Zell


fonte da imagem: http://www.aib-brasil.org/banco-de-imagens-da-costa-do-marfim

terça-feira, 10 de março de 2009

Lar doce lar!


Enfim... depois de um longo e tenebroso inverno, ops... não não, depois de uma longa temporada fora de casa (affeeeee que reforma demorada) estou voltando!!
Ainda não é minha casa de boneca (Dark - cor - de - rosa), mas tudo bem...

Tô feliz, tão feliz que até escrevi:

Lar doce lar
É pra onde eu volto pra curar minhas dores
Pra chorar minhas magoas
Lamentar meus amores
É pra onde eu volto pra descansar minha carne
Deitada no velho colchão...
Repousar meu espírito
Contemplar minha amada solidão
É onde encontro arrego
enamoro a paz, o sossego
É onde sem reserva,
me perco e outra vez me acho
É meu porto seguro, minha velha nau
É meu rio manso, meu eden, meu regaço

É onde o pensamento vai frouxo
E a vida é a melhor pra se viver...

Lar doce lar...
Tem a cara que eu quis lhe dar
Tem o jeito, que eu pude moldar...
É simples... e quente
Abraça afetuoso, todo aquele que pisa lá
É meu reino, meu legado
É meu lar...doce lar!

10/03/2009 – (Lar doce lar) Zell

*Em todos os casos, respeite a autoria! Obrigada!

quinta-feira, 5 de março de 2009

...sempre outra vez!

Prazeroso seria,
pudesse ao menos ser vivido...
Se pudesse! Seria uma dádiva,
se ao menos existido!
Existindo... Inestimável seu valor,
Uma doce lembrança para o fim dos dias...
Se pudesse, ainda, um outro suspiro
Depois do primeiro, a graça de ter nascido,
Um outro suspiro, que não o derradeiro...
O óbito precoce é tudo...
Tudo quanto foi possível!
Como aquela história
Que chega ao fim sem começo...
Na tela alva, apenas um traço,
Do que viria a ser um bela pintura
As mãos suja de barro...
Do barro que não foi escultura.
Das paginas em branco,
O livro se perde em pensamentos chochos
Poucas linhas, mal traçadas,
Rabiscadas em desalinho,
Obra memorável,
Tivesse oportunidade, de terminá-la o autor,
Um lamento insípido apenas...
Cala uma quase dor...
Cala!
Altiva... o horizonte paira ante os olhos
Sem brilho, nem tristes...
Um ultimo instante contempla,
E agora, um passo... e outro, e outro...
Não precisava caminhar tão só,
Não queria, não podia...
Mais um passo, e outro, e outro...
Bendizendo ou lamentando
Aquilo que soa amargamente sina...
Finda-se o devaneio do poeta...
Mas não era para ser assim!

01/02/2007 (sempre outra vez... )


"Nas idas e vindas da vida... umas e outras linhas!"


Zell

segunda-feira, 2 de março de 2009

A donzela e o Nobre

Uma vez ou outra escrevo,
e uma vez ou outra sai algo que valha a pena,
neste caso, não sei este vale ou não,
mas ainda assim, decidi postar todos
(aliás todos e tudo... como disse no primeiro
post do blog!)
A Donzela e o Nobre (Lord)
está dividido em duas partes!

:)

Por mim mesma,


A donzela

Das noites líricas calidamente espero,
pouco mais que um poema e um beijo teu...
um céu de estrelas na noite escarlate,
uma rosa, um lírio e um pequeno camafeu.
Espero todas as noites,
noites que não tem fim,
que a brisa suave que bate em meu rosto,
traga-o de volta pra mim...
quero a lua pálida por testemunha,
soturna cena a contemplar...
delicada alma a espera...
que espera teu amor chegar...

O Nobre

Lá estava o nobre lord...
Em sua bela armadura,
Encostado na soleira
Tão bela sua postura
Uma canção distraída
Do belos lábios lhe saía
Cantava a paixão pela amada
Que em seus sonhos lhe sorria
Agora estava a espera
Palpitava-lhe o coração
No peito doía a saudade
Trazia um rosa na mão
Para ofertar a donzela
Tão logo se aproximasse
Despertando-lhe um sorriso
Que iluminaria a bela face...
Enfim termina a agonia
De tantos séculos de espera
Vão felizes os amantes
desfrutar sua quimera

*(Em todos os casos, respeite a autoria!)


Otimas energias pra você!

Zell

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

E quando ele passa...






















E quando ele, passa, lento e lânguido
Furtivo ao ocaso dos tempos
Leva consigo todo plano,
Todo fogo, toda vida...
E quando ele passa, nada mais é como outrora
E ele sempre passa, e com seu sopro divino
Traz o frio do inverno letal...
Ele sempre vem... o ciclo eterno,
O Ceifador...que meus olhos entendem com admiração...
Nada vive quando sopra sobre a “terra”...
E depois, tudo recomeça.
O degelo traz um novo alvorecer
Abraço sua dádiva...
Sei que depois de ti,
a terra pode ser semeada mais uma vez...
Tu Ceifador, traz à luz a esperança!


(Experimente olhar com outros olhos...
ver além daquilo que a imagem representa!)